Parece que o Keane entrou num DeLorean e escolheu viajar para o ano de 1986. O novo e terceiro álbum da banda britânica, “Perfect Symmetry”, está encharcado de teclados e efeitos retrô. E, diferente do que acontecia em Hopes And Fears e Under The Iron Sea, agora as baladas grandiosas – marca registrada da banda – deram lugar a um clima mais dançante, numa sonoridade que nos remete aos dias de glória do Duran Duran. Elas ainda estão lá, mas em menor quantidade. Parece que o trio cansou de choramingar e está tentando descobrir como é que se faz para se divertir.
Assim, o álbum começa com a chacoalhante “Spiralling”, uma explosiva amostra do que vem pela frente durante os próximos 50 minutos: vocais agudos, batidas mais rápidas, percussões eletrônicas, sintetizadores e até um empolgado “Whooo!” no começo. Tão empolgado que às vezes soa meio artificial, vindo de quem vem. Se você achava que “Is It Any Wonder” era o máximo de alto astral que o Keane conseguia atingir, prepare-se.
E tanta energia continua a todo vapor em “Again & Again” e “Better Than This”, duas faixas que você – se for um fã purista como eu – vai torcer o nariz quando ouvir pela primeira vez. Eventualmente a gente se depara com uma ou outra balada no meio do caminho e se lembra que ainda está ouvindo um disco do Keane, afinal. Caso das excelentes “Love is The End”, “You Don´t See Me”, e “Lovers Are Losing”, onde Tom Chaplin mostra que ainda não perdeu seu dom mágico de engrandecer as melodias com sua voz poderosa. É o novo Keane com o velho vigor.
Estão entre as melhores músicas do disco e até da banda. São daquelas que te surpreendem logo de cara e que com certeza você vai berrar junto depois de ouvir o disco poucas vezes. E assim funciona o álbum quase inteiro, e a empolgação deles acaba contagiando a sua. A única que foge à regra é “Pretend That You´re Alone”, uma música que ficou num meio termo ingrato entre as facetas nova e velha do Keane, e acabou ficando fraquinha.
Mas até aí, ninguém é perfeito.










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