Rita Lee – “Lança Perfume” (1980)
Você pode até não gostar da Rita Lee, pelo motivo que quiser. Mas você tem que respeita-la. Se você gosta de alguma banda brasileira – seja ela de 1968 em diante e de que estilo for – saiba que ela foi influenciada pela Rita Lee.
De 1967 a 1972, ela fez parte dos Mutantes. E, junto com Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, revolucionou o pop do nosso país driblando com louvor, ousadia e criatividade as forças opressoras que cerceavam a liberdade de expressão no Brasil naquela época. Enquanto foi parte integrante da banda, Rita fez pelo menos 4 discos fundamentais para a história do rock brazuca. Discos que são referência para músicos do mundo inteiro até hoje.
Com sua banda Tutti-Frutti – que ficou na ativa de 1975 a 1978 – Rita Lee emplacou alguns dos hits que definiram profundamente os rumos do pop/rock nacional: Agora Só Falta Você, Ovelha Negra, Esse Tal de Roque Enrow, Jardins da Babilônia. São clássicos absolutos do rock tupiniquim. (Repito que você pode até nem gostar, mas eu duvido que você não saiba de cor.)
E mesmo quando ela decidiu ser totalmente pop, ela o fez com o maior requinte. Em 1980, ela atingiu seu ápice de popularidade, sucesso, prestígio de público e crítica e exposição. É que não era pra menos: este “Rita Lee” trazia um material tão poderoso, tão certeiro e tão universalmente pop que virou disco-hino daqueles anos. E quase 3 décadas depois de seu lançamento, o disco ainda soa tão ou mais atual do que na época em que foi feito.
Com brilhantismo e elegância, ela discutia temas filosóficos de maneira simples e mais direta, e fazia todo mundo pensar. Ela discutia também o dia-a-dia, as relações amorosas e se expunha sem vergonha, desafiando valores de uma sociedade que ainda se encontrava mergulhada em profundos tabus. Em assim, fez um disco de clássicos: Lança Perfume, Caso Sério, Nem Luxo Nem Lixo (um dos melhores arranjos do pop brasileiro!!!), Bem Me Quer, Shangrilá (uma de suas mais soturnas e belas melodias), Baila Comigo, João Ninguém. Ave!
Naquele ano, Rita dominou a cena. Se mostrava vencedora e gloriosa, merecedora do espaço que havia conquistado. Em “Orra Meu”, ela cuspia na cara de toda a corja ditatorial que já tinha assolado seu passado (“Roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido”), defendendo a causa da liberdade de expressão e ensinando muito marmanjo cabeludo a ter atitude. Roqueira, mulher, ela estava lá, fazendo sozinha a coisa acontecer.
E, sem saber, estava lapidando seu nome numa grande página da história.
Em “Nem Luxo, Nem Lixo”, Rita dizia que queria ser imortal. A julgar por tudo o que fez até esse disco, é bem provável que ela tenha conseguido.


Pois eu não sei de cor! hehehe
É que conheço pouco de Rita Lee…
Mas, depois que li o Almanaque do Rock, fiquei interessada em conhecer melhor. Quem sabe um dia?
Beijos!
Rita Lee está presente no meu altar, sem dúvida. Não na primeira estante, mas na segunda. Eu gosto, admiro e respeito. Foi por ela, inclusive, e não pela Maria Rita, que eu me joguei no centrão de São Paulo, debaixo de uma chuva absurda no aniversário dos 450 anos de São Paulo. E ouvi a todas as músicas deste disco no coração da cidade, com água na cabeça e olhos fechados, rs. Não houve festa melhor que aquela.
E, quando assisti Rita Lee e Elis Regina juntas, naquele DVD, cantando ‘Doce de Pimenta’, os dedos coçaram para alçá-la à primeira estante. Ela é, certamente, imortal!
Cara! Essa foto é do LP, dá até pra ver a marca do disco… LP que eu tinha, lá com meus 8 ou 9 anos e escutava sem parar nas vitrolas da vida… Realmente, Rita é sensacional. Naquela época, antes, depois. Mesmo com as loucuras que nos fazem ficar ‘um minuto’ irritados (rs) não há como negar que ela é a semente de muito do que ouvimos – e adoramos – hoje. Belo post!