Marcelo Camelo – “Sou” (2008)
Pretensioso.
É assim que vai lhe soar o primeiro disco solo do hermano Marcelo Camelo à primeira audição. Desde o trocadilho visual da capa até a última nota da última música, transborda em “Sou” um excesso de autoconfiança que talvez não seja muito saudável para um artista em seu disco debutante.
Totalmente mergulhado no experimentalismo que já dava sinais de vida no último disco dos Los Hermanos, Camelo resolveu abandonar de vez sua faceta roqueira e embarcou definitivamente na calmaria e na complexidade da MPB. E, assim, fez uma dezena de músicas cheias de meandros e acordes complicados para impressionar os ouvidos mais atentos.
E, na pretensão de querer inovar demais, produziu uma obra difícil de engolir.
Mas calma. “Sou” não é um disco ruim.
Muito pelo contrário: depois que a estranheza causada pela pretensão vai embora, as músicas finalmente se revelam bastante agradáveis (e se você é um dos que também demoraram para assimilar o 4, você vai entender o que eu digo).
Tanto que o disco já tem até um single: a genial “Doce Solidão”, que de cara gruda no seu ouvido com um assobio pegajoso, que vai martelar sua cabeça o dia todo.
Depois dela, a próxima pérola deliciosa é “Copacabana”, uma quase marchinha de Carnaval com um gostinho de anos 30 que também vai ficar na sua cabeça por muito tempo.
“Liberdade”, “Janta” e “Mais Tarde” também são daquelas que melhoram muito cada vez que se ouve. “Passeando” é um exercício complicado, tanto para o violão quanto para o nosso ouvido, e seria genial se estivesse no terceiro disco solo do Camelo. Mas aqui, ela só serve para mostrar que o nosso querido hermano chegou numa lição mais difícil da cartiha da escola de música.
Contudo, “Sou” é um disco de estréia que revela o que todos já sabiam: apesar dos momentos de estrelismo, Marcelo Camelo é um ótimo compositor. Ele só precisa aprender a se levar um pouco menos a sério.


Cara, tive uma péssima primeira impressão. Espero que ela melhore com o tempo.
Abraços!
Nao é por nada nao, mas o trocadilho da capa é genial!!!
Mas ainda assim, tudo o que eu queria agora era um disco solo do Amarante!!!!
Quero escutar…… Acho que vou pedir para o Thiago me trazer uma copia… Se for que nem o “4″, a dificuldade vai ser compensada pelo prazer de entender as ideias no final!
O ‘4′ soou estranho até chegar em ‘Paquetá’. Dali em diante, quebrou-se o gelo. E quando chegou ‘Condicional’, já estava tudo bem, como antes.
O trocadilho da capa é delicadamente genial mesmo. Estava ansiosa, mas agora estou curiosa pelo show com o Hurtmold. Vamos aguardar…
Aliás, já tá rolando alguma coisa nova do Amarante lá com o Fa Moretti nos myspaces da vida?
Quando comecei a ler sua resenha achei q pela primeira vez teríamos uma divergência musical, no q tem sido até agora um agradável confluir de gostos. Mas sua comparação com 4 me fez entender até um pouco mais sobre meu próprio gosto musical. 4 é estranhamente meu disco preferido de Los Hermanos e Sou caiu pra mim como uma flecha no coração, apaixonante. É possível que eu tenha uma certa queda por pretensões, afinal de contas.
Pra quem quer saber mais de Amarante no momento:
http://www.myspace.com/littlejoymusic