Quarteto Novo (1967)
Sabe o Hermeto Paschoal? Aquele velhinho doidão que tira som até da própria barba??
Ele ficou conhecido por causa deste disco.
O então Quarteto Novo – que lançou esse único álbum em 1967 – tinha Hermeto na sua formação, tocando piano e flauta e arranhando uma das suas primeiras e mais conhecidas composições. “O Ôvo” (naquela época ainda tinha o circunflexo) abria o disco e esparramava uma melodia extremametne cativante.
Todas as músicas do Quarteto tinham uma proposta inovadora, com elementos nordestinos misturados com harmonias de jazz e de bossa nova. Tudo bem que, naquela época, era meio “lugar comum” ser influenciado por jazz e bossa nova – pelo menos no que diz respeito à música brasileira – mas mesmo assim é interessantíssima a mistura que o Quarteto fazia. (Tão interessante que, depois da gravação desse disco, o próprio Hermeto foi convidado para ir aos EUA participar de uma gravação com um tal de Miles Davis)
Existe uma riqueza muito peculiar em todas as músicas. É legal ver que o experimentalismo tinha um lugar nas prateleiras. Músicas como “Algodão”, “Misturada” e “Canto Geral” faziam uma salada de instrumentos aparentemente desconexos ter um sabor bastante novo.
E hoje, ouvindo a edição remasterizada em CD com um áudio cristalino, fica ainda mais evidente a riqueza das composições e das execuções. Você escuta cada palhetada de violão, cada sopro de flauta (num estilo que Ian Anderson nenhum botaria defeito), cada chacoalhada da percussão e cada mergulho do piano com total independência. Nada embola, nada sai do tempo, nada compromete. Tudo se completa. É tão virtuoso que você diria que é gringo antes de ver a capa.
É música instrumental interessantíssima, brasileiríssima, competentíssima e deliciosa de ouvir. Uma pena que às vezes tenhamos que voltar 40 anos no tempo para sentir um prazer tão grande de escutar nossa própria música. Onde estarão os quartetos novos de hoje?


Post mais do que merecido ao fantástico Quarteto. Este sim fantástico.
Cara,
Sem ouvir, mas so de ler o que voce escreveu, me da um certo medo. Deve ser um disquinho difiiiiiiicil……….
Abracos!
Do começo ao fim, só músicas de alta qualidade. Melhor disco de música instrumental brasileira de todos os tempos.
Abç!
Você sente pena de ter que voltar 40 anos para ouvir uma música dessa qualidade, mas a verdade, meu caro. é que parafraseando “Como nossos pais”, cantada pela maravilhosa Elis, “…DEPOIS DELES, NÃO APARECEU MAIS NINGUÉM!!!!” O problema é que as pessoas de hoje tem pavor de aceitar que a música brasileira de hoje em dia é (como raríssimas exceções) UMA PORCARIA, e não chega ao alto nível da música do passado. Eu afirmo sem medo: SÓ ESCUTO MÚSICA DO PASSADO! Abraço.
Ok, acho que radicalizei, mas com exceção de alguns nomes da música instrumental atual, não há muita coisa aproveitável entre cantores e compositores. Pelo menos, nada muito original e que impressione se comparado aos grandes artistas da MPB surgidos até o começo dos anos 80. É isso aí.
Ótimo texto
Alguém sabe de alguma banda cujo som seja semelhante (um jazz/mpb instrumental)?